quinta-feira, 26 de abril de 2007

A Bailarina por Francis Ponge...


La danseuse – PONGE, Francis; Piéces; 1971

Inaptitude au vol, gigots court emplumés: tout ce qui rend une autruche gênée la danseuse toujours em pleine visibilité s'en fait gloire, — et marche surs des oeufs sur des airs empruntés.
D'âme égoïste en un corps éperdu, les choses à son avis tournent bien quand sa robe tourne en tulipe et tout le reste au désordre. Des ruisseaux chauds d'alcool ou de mercure rose d'un sobre et bas relief lui gravissent les tempes, et gonflent sans issue.
Elle s'arrête alors: au squelette immobile la jeune chaire se rajuste aussitôt. Elle a pleine la bouche de cheveux qui s'en tireront doucement par la commissure des lèvres. Mais les yeux ne retinteront qu'après s'être vingt fois jetés aux bords adverses comme les grelots du capuchon des folies.
Idole jadis, prêtresse naguère, helas! Aujourd'hui un peu trop maniée la danseuse... Que devient une étoile applaudie? Une ilote.

A bailarina - PONGE, Francis; Piéces; 1971; Trad.: Leda Motta

Inaptidão para o vôo, gâmbias emplumadas rente à pele: tudo o que atrapalha uma avestruz, para a bailarina, sempre em plena visibilidade, é a glória, – e ela pisa em ovos com ares de importância.
Alma de egoísta num corpo que se esvai, o mundo segundo ela redunda em sucesso quando seu vestido redunda em tulipa e tudo o mais em desordem.Riozinhos quentes de álcool ou de mercúrio rosa de um sóbrio e baixo relevo lhe escalam as têmporas, inflando sem remédio. Aí ela pára: ao esqueleto imóvel a carne jovem logo se reajusta.
Tem fios de cabelo na sua boca que suavemente escapam pela comissura dos lábios. Mas os olhos só vão retinir depois de saltar umas vinte vezes para fora das órbitas adversas como guizos do capuz do bobo da corte.

Ídolo antes, sacerdotisa outrora, agora! Um tanto ou quanto manejada a bailarina... E no que é que se transforma uma estrela aplaudida? Numa hilota.


Pinturas: Edgar Degas 1876/1877

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