sábado, 11 de outubro de 2008

Corra e olha o céu...



(...) Linda! No que se apresenta...O triste se ausenta...Fez-se a alegria...

Corra e olhe o céu...Que o sol vem trazer...Bom dia (...)


A primeira música que ouvi de Angenor de Oliveira, diferente de muitas pessoas e até do senso comum, foi "Corra e olha o céu" musíca dele e de Dalmo Castelo. Lembro de que gostei do ritmo e dos versos, e isso já faz tempo...Tempo demais. Cresci ouvindo samba, depois, por minhas próprias pernas me enveredei ainda mais por estes caminhos e o 'seu' Angenor foi e é, até hoje, um dos mestres que eu mais saúdo. Para quem não sabe quem é este 'tal' Angenor, basta que eu fale algumas de suas composições, "Peito Vazio", "Cordas de Aço"..."Alvorada", "O sol nascerá", "O mundo é um moinho"...E, é claro, "As rosas não falam"...Daí, não há como não saber que todas elas pertencem ao grande mestre do samba: Cartola.

Esta última canção, seu grande clássico, gravado por mais de sessenta intérpretes, surgiu - reza a lenda - de uma conversa entre Cartola e sua esposa, Dona Zica, que após ganhar uma muda de roseira, plantou-a em sua casa no Morro da Mangueira. A roseira floreceu de forma vertiginosa e Dona Zica espantada com a quantidade de rosas indagou ao marido o porque daquilo ter ocorrido ao que ele, tirado do seu sossego, respondeu: - Sei lá Zica, as rosas não falam!

Cartola ficou com essa frase na cabeça durante algum tempo até que ela resultou em uma de suas mais belas composições. E é essa capacidade de transformar o cenário cotidiano em canção uma das maiores características do compositor que, apesar de suas inúmeras composições, começou a cantar tardiamente. Cartola era salutar, sublime e de percepção aguçada, tinha uma sutileza que era sentida em todas as suas letras, fossem de partido alto ou samba-canção. Segundo Drummond, admirador do mestre e de sua "O mundo é um moinho", a delicadeza visceral de Angenor de Oliveira (e não Agenor, como dizem os descuidados) é patente quer na composição, quer na execução.

Saúdo hoje o mestre por todas essas e muitas outras características, saúdo o meu querido velho e bom samba. Em toda a sua raiz, em toda a sua essência, em toda a sua grandiosidade. Saúdo os 100 anos deste mestre do morro, da Mangueira, do Brasil, do mundo. Como diria Nelson Sargento, Cartola não nasceu, foi um sonho que a gente teve. E como foi bom esse sonho...

Salve Angenor de Oliveira! Salve o Samba! Salve Cartola!


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Postscriptum:

Férias. Orientação de PE. Belas Artes. Um espetáculo de 'Dreads' e olhos azuis. Pipoca Doce. Samba. Hermana. Amigos. Night life...Amo muito tudo isso! Saudades!


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Trilha Sonora - Para ouvir enquant lê:

Corra e olha o céu (Cartola_Cartola e Dalmo Castelo)


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Merchandising:

O quadro da foto ao lado - 'Miçangas sobre madeira' - é obra da artista plástica, Cinthia Lisboa, mas conhecida como Tih, Nêga, Hermana, Jackie....A foto é do 'moreco'!

6 comentários:

Jú disse...

33 dias ontem, um dia deverás Demode, eu dia...
32 dias hoje, dia de desfrutar a arte de "pastelar"...
31 dias amanhã, dia de viver a vida!!

Contagem regressiva, amore!!

Estou muito, muito feliz!!

Bjocas mil...

Késia Maximiano disse...

E salve Cartola!!!

Mony disse...

Olá...

ele realmente fez musica inesqueciveis... sempre bom escutar o mestre cartola!!!

beijos

Victor Hugo disse...

Sabia que falaria dele...Por isso vim até aqui, um pouco tarde, confesso.

Assim como confesso que passei mais a ouví-lo e conhecê-lo por estar ao seu lado...

"(...) um amor, onde encontrarei, senhor! Livrai-me desta nostalgia...Confiante ainda espero o dia (...)"

Sei que vai brigar...Mas ainda espero.

Beijo bailarina, beijo e bons sonhos!

Unknown disse...

hello

Unknown disse...

hello