terça-feira, 2 de junho de 2009

Eu tô falando de amizade




"É tão forte quanto o vento quando sopra, tronco forte que não quebra, não entorta... Podes crer, podes crer, eu tô falando de amizade."
(Podes Crer - Cidade Negra)



Segunda-feira, toca o telefone em casa. Papai atende – Cinara! É pra você! – Após o sonoro ‘Oi’, do outro lado da linha a voz familiar do meu interlocutor – Ci?! – Não nos falávamos desde o natal e para quem todos os dias trocava emails, telefonemas e encontros furtivos nos corredores da PUC, além da carona da 4ª feira, ficar sem se falar quase um mês é, no mínimo, estranho. Então, ouvir o alegre ‘Ci’ da Julia a muitos quilometros de distancia tem lá o seu peso!

Enfim, foi esse telefonema que desencadeou este post. Conheço a Julia 'há séculos', fomos vizinhas durante anos e, mesmo quando ela se mudou com a família para outro bairro, continuamos amigas. Ela é o meu oposto, somos fisicamente diferentes, fizemos faculdades diferentes, temos gostos diferentes, estilos diferentes e, é claro, pensamentos e opiniões diferentes para os mais diversos assuntos. E é justamente essa ‘diferença’ que talvez nos faça amigas. É essa capacidade de conseguir conviver uma com a outra, tendo tantas coisas ‘incomuns’ que faz com que eu ligue pra ela, no meio da madrugada, sem a mínina preocupação se são 3 da manhã, aos prantos, por achar que o ‘meu mundo caiu’ e eu estava sem a mínima condição de ‘aprender a levantar’. Ou ainda, que ela me ligue num domingo, regado a Mojito e letras, completamente chuvoso, lejos y lejos de distância, para uma consultoria online. Somos amigas pelo simples fato de que, não há diferenças no mundo capazes de destruir ou abalar uma amizade de verdade. Por mais piegas e clichê que a frase possa parecer.

Logo depois que desligamos, fiquei ainda sentada no chão da sala de estar, segurando o papel onde havia anotado o nº do celular enquanto ela estiver fora. Apesar da saudade, de saber que o reencontro previsto para fevereiro seria adiado por mais alguns meses, que a ‘festa dos 26’ não contaria com a presença ilustre do ‘moreco’, que eu ainda teria que atualizá-la constantemente sobre os acontecimentos por email e aguardar o fuso horário para tudo, fiquei pensando o quanto eu gosto dos meus amigos, o quanto eles são importantes para mim, o quanto eles fazem diferença na minha vida. Por mais que não sejam muitos, por mais que às vezes - e são muitas – eu não tenha tempo para vê-los, por mais que a distância impeça, as diferenças impeçam, as interpéries da vida e muitas outras coisas aconteçam, meus amigos serão sempre meus amigos. Durante muito tempo eu acreditei que amizade mesmo, de verdade, só pudesse acontecer ao longo de muitos e muitos anos de convivência, quando na verdade para ser amigo bastou ter algo chamado afinidade e que ela pode acontecer quando tudo parecer ‘oposto’, ao contrário ou, simplesmente, diferente. O tempo pode apurar uma amizade, mas não definir se ela vai acontecer e dar certo ou não, os amigos acontecem, simples assim. E essa talvez, seja uma das coisas mais importantes que vou aprender nessa vida.

Sinto falta dos meus amigos, gosto de estar com eles seja naquele fim de semana de sol, reunidos no ‘puxa’ debaixo da jabuticabeira ‘carregada’ ou num clássico domingo de chuva e conversas na cozinha. Gosto de ser amiga-irmã, amiga-filha, amiga-afilhada, amiga-madrinha, amiga-namorada, amiga-prima, amiga-dona (afinal, e os nossos amigos de 04 patas?!) amiga-ex-namorada (Porque não?!), amiga-sobrinha, amiga-cliente, amiga-profissional, amiga-partner, amiga-dos-amigos-dos-amigos, amiga-vizinha, amiga-aluna, amiga-amiga. Os amigos não tem uma ‘utilidade’ específica como o seu chefe (que ás vezes até se torna amigo), o cliente da agência, o frentista do posto de gasolina, o atendente da operadora de celular ou mesmo seus pais, um tutor, um tio ou qualquer outro parente. Um amigo , como diria Rubem Alves, é como aquela árvore, vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente. Mas não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma experiência de comunhão. Diante de um amigo sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.

Posso não ser a melhor amiga do mundo. Sei que tenho inúmeras faltas nesse aspecto. Posso não ser aquela amiga, que como diz a 'Juh', nunca vai te dizer ‘não faça’, e vai te apoiar, até quando a sua resposta for não, quando todo mundo (no estado normal) diria sim. Posso não ser a ‘melhor-amiga’, mas tenho certeza, meus amigos são os melhores, sempre!


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Trilha Sonora:


"Podes Crer" (Cidade Negra_Cidade Negra)


3 comentários:

Mariam disse...

Olá, quanto tempo!
Vim dizer que lá no meu blog tem um meme pra você. Espero que goste e participem. Bjos t+.

Anônimo disse...

Amore,

Faltam palavras!!
Vi este post já tem uns três dias sempre antes de fechar o PC e ir dormir eu venho ao BSP e leio novamente, mas mesmo assim faltam palavras.

Somos exatamente o oposto uma da outra: fato, mas a gnt se completa...

Sinto me muito honrada em seu sua amiga, sem maiores adjetivos, pq posso não ser a melhor ou a maior, mas sou sua AMIGA.
Sei q posso contar com vc a todo momento, assim como vc sabe q mesmo longe eu estarei aki... e jamais te direi não faça...
Só q se tudo der errado nós vamos sair e tomar um café... e se tudo der certo tb vamos sair e tomar um café!!!! pq somos acima de qualquer coisas parceiras!!!

Cara amiga, vivendo longe de tudo e de todos por tanto tempo, eu posso te afirmar q hoje eu sei o q é sentir saudade...
E eu sinto muita saudade de vc!!

Como já te disse, é uma honra estar entre os seus amigos...

Love u soo forever and ever!!!

Kisses!!!

Raquel disse...

Ola...
Adorei o post...e me fez lembrar de algumas verdadeiras amigas também...afinal todo mundo tem que ter alguem para quem chorar, contar a ultima novidade ou soltar os bofe quando não esta bem certo???
Sucesso para você.
http://kriativa.zip.net
Bjos