domingo, 2 de agosto de 2009

Oração de Gestalt



“Eu faço as minhas coisas e você faz as suas coisas. Eu não estou neste mundo para atender às suas expectativas e você não está neste mundo para atender às minhas. Você é você e eu sou eu. E, se por acaso, nós nos encontramos, é lindo. Se não, nada se pode fazer.”
(Oração de Gestalt)



Recebi há um tempo um email de uma amiga com a Oração de Gestalt. Detesto correntes, PPS e coisas do gênero, mas a pequena oração veio a calhar com o momento que eu vivia até então. O que faz as pessoas pensarem que estando elas umas com as outras, automaticamente, as faz donas, exclusivas, da vida do outro?! E, olha, não estou falando em ciúme porque ciúme me dá preguiça. Falo na verdade desta mania que as pessoas têm de se anular, viver a vida do outro como se fosse a sua própria. De não compreender que cada um tem a sua vida, as suas coisas, suas pirações próprias, seus gostos, desgostos e outro bocado de coisas que são de cada um.


Afinidades?! Coisas em comum?! Elas podem e vão existir, isso é óbvio, assim como é óbvio que você e ele podem torcer por times diferentes e adversários, que você gosta de rock progressivo e ele de Axé, que a sua cor favorita é branco, a dele preto e que você é vegetariana e ele, churrasqueiro. Tudo muito igualzinho é chato, cansa, enjoa. Enquanto escrevia recordei um filme, uma comédia romântica estrelada por Julia Roberts, o título?! Noiva em fuga (Runaway Bride). A personagem, Maggie, após diversas fugas em pleno altar está prestes a subir o dito pela enésima vez. Após ter sua história divulgada na imprensa se vê às voltas com um jornalista que tenta contar a sua história e entender o motivo de tantas desistências nos ‘45 do segundo tempo’. O engraçado aí é que tendo que reviver todas as outras tentativas anteriores a personagem descobre que não sabia quem era de fato, que ela se transformava numa cópia, feminina e fiel do seu futuro marido. Ao se dar conta disso ela se questiona sobre como gostava dos “ovos” no café da manhã, já que ao ter seus ex-noivos indagados sobre a questão, cada um responde que ela gostava à maneira dele. A cena que me chama a atenção é quando Maggie se abre para essa verdade e começa do simples, descobrindo qual é o jeito dela, como ela prefere a sua receita de ovos matinais. É quase um momento de libertação, ela agora vivia a sua própria vida.


Fico me perguntando se cada um não devia se conhecer melhor, viver a sua própria vida, saber mais sobre si mesmo para depois então, se relacionar com outra pessoa. É claro que todo mundo soma alguma coisa quando passa a dividir sua vida e experiências conosco, mas não podemos deixar que isso seja uma coisa unilateral, só um agrega, só um traz. A diferença também é bacana e saudável. A nossa vida, mesmo com todos os altos e baixos, também é interessante. Tem que existir sempre tempo para si, para o chopinho com os amigos, para aquela reunião da confraria, para a viagem com a família ou até para ficar sozinho e escrevendo um post para o seu próprio blog. Relacionamentos são feito de duas pessoas, duas vidas, que não se completam e sim, se somam. E como diria Gestalt, se essa soma dá certo, a gente se encontra e aí vai ser lindo! Se não, tudo bem, vamos em frente, com cada um para o seu lado, afinal, ninguém falou que o amor tem que ser uma ciência exata.

5 comentários:

Rico Soares disse...

Interessante o seu comentário e bastante verdadeiro. Essa oração parece um tanto egoísta para muitas pessoas. Mas egoísmo mesmo é querer viver a vida do outro. Grande abraço!

Tiago Sânzio S. Pereira disse...

Relacionar é difícil... li um texto tempos atrás onde o escritor questinava a existência da cara-metade. Onde já se viu? E eu vou lá querer alguem pela metade?

Ótimo texto nega... Diz muito sobre muita coisa...

beijoo!!!

Olga disse...

Há muito não venho aqui, e foi muito bom o que encontrei. A oração caiu como uma luva no momento certo. Abraços ;)

Brin disse...

Oração verdadeira e no meu ponto de vista, diz exatamente como deve ser. Antes de qualquer coisa, temos que nos amar mais que tudo. Só depois disso, saberemos construir um relacionamento saudável.
Amei o blog!

Bjo grande.

Sílvia Lis disse...

As escolhas que às vezes fazemos nem sempre condizem com o que queremos e esperamos da pessoa; e quando descobrimos o erro, também descobrimos que talvez seja tarde pra dizer um adeus! Bem que eu queria ter essa determinação e falar..."SUMA! Seu mundo é muito pocuo para mim." As divergencias sempre haverão, mas que sejam mais simples...Beijos flor!