segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Manifesto

Tíltulo original: ‘Eu sou um corpo’ - Por Vanessa Ribeiro,  I just can't get enough
Em 24 de julho de 2010





“Slow down, you're doing fine. You can't be everything you wanna be before your time, although it's so romantic on the borderline tonight, tonight. Too bad, but it's the life you lead. You're so ahead of yourself that you forgot what you need. Though you can see when you're wrong, you know, you can't always see when you're right, you're right.”

(Vienna – Billy Joel)

"Perdoe a falta de abrigo, é que agora eu moro no caminho..."

(Marla Queiroz)


Há sempre um tipo típico de ser humano estranho alocado na mesa ao lado. O exemplar da espécie humana, do sexo feminino, aparentemente abalada por problemas que vão desde bolinhas no esmalte recém-aplicado até os ressecados fios de cabelo, passando também pelo namorado que não vira noivo e que conseqüentemente está longe de virar marido. Um ser que com seus surtos transforma a rotina profissional, por exemplo, em experiências catárticas em nós, pobres companheiras de trabalho.

Seria possível um universo feminino menos Barbie e mais racionalizado? E não falo de loiras oxigenadas, cujos glúteos avantajados são exaustivamente exibidos em cima de uma lage. Todas prontas para se transformarem na próxima mulher fruta, no próximo pedaço de carne exposto in natura em todas as revistas masculinas do mercado, nas telas de todos os cinemas pornôs do submundo em que o pecado aflora em todos os poros das peles lascivas que lá estão. Definitivamente não sou puritana. Acredito que do cristianismo, as únicas coisas que realmente devem ser levadas em consideração são: vinho + pecados. Aliás, concordo com a crítica de Nietzsche quando ele se refere ao processo de imbecilização dos seres humanos devido à adoção do Jesus Way of Life amplamente disseminado pelas religiões. É proibido pensar! Deve-se apenas e tão somente obedecer às leis das escrituras, às leis da religião. A mesma religião que queimou vivos todos os indivíduos que se opuseram ao seu modo operante é a que esconde seus integrantes pederastas e pedófilos. A lei cultural deste país tão religioso implica em um processo de imbecilização geral. Mas essa discussão fica para outro dia.

Falo sobre criaturas que tiveram acesso a educação de qualidade, vivência internacional, estrutura para pleno desenvolvimento de sua capacidade intelectual. Embora tenham tido uma puta chance para que a sinapse neural fosse estimulada, determinados seres humanos se arrastam como plastas. Para mim não são muito diferentes de planárias. Pobres coitados que precisam entrar em Rehab imediatamente. Estão viciados! Dependem emocionalmente dos outros! Não pensam! Mas isso é totalmente compreensível. É difícil pensar, usar a capacidade intelectual e a razão para analisar os problemas. A cegueira burra da beleza artificial e da vaidade fútil encobre todas as ineficiências da massa cinzenta do cérebro que coitadinho, está repleto de teias de aranhas. Desde pequenos, muitos indivíduos aprendem que não se deve pensar. É proibido pensar! É sempre mais fácil ignorar o que se vê. Olhar superficialmente sobre a realidade e construir idealismos tão vazios quanto suas pobres cabecinhas. Este é o caminho mais fácil e menos penoso. Este seria o caminho certo.

Resumindo, trata-se do ser humano light. Criaturas imanentes, vazias, verdadeiras fraudes. Miss Mossoró é definitivamente o meu exemplo, minha musa. “Para que pensar? Eu sou um corpo!”

Após este desabafo emocionado, me sinto gratificada por ser uma mulher de vanguarda, absurdamente à frente do tempo. Um ser incompreendido que encontra em uma esquina ou outra, um igual. Alguém que simplesmente gosta de pensar e de questionar.

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Postscriptum:

Caros amigos,

Este mês a Bailarina tira ‘férias’ e posta esse ‘manifesto’ da minha querida amiga Vanessa Ribeiro. O post nasceu de ínúmeras conversas que volta e meia, entre um samba, um buteco, um cinema e muitos encontros, a gente troca à cerca da vida que a gente leva, dos nossos dilemas pessoais, das nossas escolhas, das nossas neuras, dos nossos casos e acasos, do amor e do não-amor e das nossas glórias e dissabores.

Perdidas nessa multidão e tentando enxergar além desse óbvio ululante, eis aí a nossa luta diária e contraventora. É difícil, mas a gente um dia chega lá.

Beijo bom de saudade boa!

Bailarina

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Trilha Sonora:

Vienna (Billy Joel)


3 comentários:

Rafa disse...

Cinarina você está certíssima somos meros corpos ambulantes que não devem pensar. E vivemos o dilema da mulher que sonha um dia em alcançar essa liberdade... E como tem sido meu caso. Bjos mocinha saudade.

Anônimo disse...

Todos q seguem uma religião são pessoas q não pensam? O q vc acha Cinara?

Bailarina disse...

Caro anônimo,

É difícil entrar num assunto sem saber quem é meu interlocutor, porém, vamos lá...

Tenho minha crença e nem por isso deixo de pensar. A Vanessa ao escrever esse texto criticava a alienação e a 'maldita' padronização que vive nossa sociedade, e infelizmente há muita gente 'religosa' e alienada por ai. Aliás, sobra gente alienada de tudo, que prefere a vida enlatada, os esteotipos - que nos fazem engolir goela abaixo, revistas, tv, jornais, internet - ao pensamento crítico, ao olhar fora do óbvio, ao questionamento. Não deixa de ser 'pensante' quem acredita ou deixa de acreditar, se faz não pensante aquele que engessa seu pensamento em detrimento de algo imposto, que engole, assimila e toma como prática de vida e conduta, sem ao menos se perguntar, é isso mesmo que eu quero?!Você me questionou, e é isso que eu acho, caro anônimo.


Contudo, aqui somos um blog democrático, qdo resolvi escrever e dividir as minhas 'pirações' com o mundo virtual, me preparei para ouvir opiniões a favor e contrárias às minhas. Sendo assim, fique à vontade se quiser se manifestar fora do anonimato, será bem vindo (a).

Abraços,

Bailarina