sábado, 2 de julho de 2011

Preciso escrever

“A inspiração vem de onde, pergunta pra mim alguém, respondo talvez de longe... De avião, barco ou ponte, vem com meu bem de Belém, vem com você nesse trem... Nas entrelinhas de um livro, da morte de um ser vivo, das veias de um coração...Vem de um gesto preciso, vem de um amor, vem do riso, vem por alguma razão...Vem pelo sim, pelo não(...)”


Pois é, o título é fato. Estou com dificuldades em escrever. Parece que a minha inspiração era condicionada ao sofrimento. Não sofro, logo, não escrevo. O problema é: posso não sofrer por aquela paixão de quatro anos (Isso tudo, por Deus!) que só fez estrago, deixou um puta de um buraco e a custo conseguir me refazer. Mas eu sofro agora porque tenho um ‘medo medonho’ (com toda licença poética para a redundância) do novo e como bem sabemos, o novo assusta a gente feito o diabo. 

Eu preciso escrever então sobre isso, preciso escrever sobre as coisas novas, sobre tudo o que tem acontecido. Preciso escrever até mesmo sobre o que por certo nem acontecerá. Preciso escrever sobre a felicidade de ver que a vida seguiu seu rumo e que eu - com certo delay, é verdade - consegui pegar o bonde andando e me agarrar a ela novamente. 

Eu queria publicar tudo o que eu escrevo. Até aquilo que eu julgo impublicável porque seria exposição demais de uma Bailarina que eu sei bem que é descontroladamente passional. Eu queria publicar meus delírios, minhas pirações, alguns palavrões e coisas assim. A minha inspiração podia ser menos burra e aparecer quando as coisas estão bem. Mas parece que ela é a amiga certa das horas incertas e quando sento a frente do computador não sai nada além de textos rasos, palavras vãs e sentimentos superficiais. 

E eu preciso escrever com o sentimento na ponta dos dedos, com o coração na mente pra mostrar pra quem duvida e faz chacota que ao contrário do que pensam eu não sou só razão. Eu preciso escrever sentindo e sentindo escrever, mesmo que isso pareça só mais algum desatino da minha cabeça confusa. 

Vem inspiração, eu preciso escrever.  Alimentar-me de parágrafos, orações, períodos, sintaxe e ortografia. Escrever é meu ‘direito ao grito’, silencioso, porém lancinante. Ficar sem escrever dói. Escrever é meu remédio, quando nem eu mesma sei o que causa a dor em mim.


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Trilha Sonora:

Transpiração (Ney Matogrosso_Alzira e I. Assumpção)



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