quarta-feira, 2 de maio de 2012

Boa companhia




  Steven Stills by Love The One You're With on Grooveshark

"Então eu virei pra ela e falei assim: ah, nada, boba, também é assim, se der, bem, se não der, amém, toca pra frente." [Adélia Prado]

"O amor, na essência, necessita de apenas três aditivos: correspondência, desejo físico e felicidade(...) Tempo, pensamento, fantasia, libido e energia são solteiros e morrerão solteiros, mesmo contra nossa vontade. Não podemos lutar contra a independência das coisas. Aliança de ouro e demais rituais de matrimônio não nos casam. O amor é e sempre será autônomo." [Martha Medeiros]

O que a gente tem é muito bom. Eu acho. Ficamos com a parte boa de cada um. Eu não preciso suportar seu eventual machismo e sua desorganização. Você não é obrigado a tolerar minha TPM ou crises de humor. Logo, o que temos é realmente muito, muito bom.

Ok. Do ponto de vista ortodoxo seria libertinagem. Mas e daí?! Somos tão pouco praticantes dessa coisa de levar tudo tão à sério. Pode até ser que estejamos numa zona de ‘conforto’, mas, parafraseando Benjor: canja de galinha e conforto não faz mal à ninguém! Tá certo que quando alguém questiona ainda rola uma certa dificuldade em conseguir contextualizar em palavras ou dar títulos, mas, pensando bem, explicar pra quê?! Pro diabo essa gente careta, covarde e curiosa! Conheço meio mundo que gostaria de ter boas noites de sexo, companhia para ir ao cinema e risadas à vontade. Conheço também quem daria seu reino por essa liberdade, que transforma isso que a gente tem em algo prazeroso e, porque não dizer, saudável. 

Se amanhã não for nada disso a gente nem precisa dar-se ao trabalho de esquecer. Talvez eu precise devolver aquele seu moletom da Cavalera ou coisa assim. E se nesse mesmo amanhã, ou quem sabe depois, você, eu ou ambos, acharmos o nosso ‘chinelo velho’, tenho certeza de que seremos bons amigos, daqueles que se cumprimentam com um selinho na boca e sob dos quais não paire sob a cabeça dos respectivos cônjuges a sombra de quaisquer ciúmes. 

O que a gente tem é muito bom. E talvez seja assim, bom, porque seja do jeito que é. Porque no outro dia a vida segue seu rumo, eu mergulhada no trabalho e na minha síndrome de Simone de Beauvoir e você com seus projetos e sua confortável cadeira de bon vivant

Se eu gosto de você?! É claro que gosto. Talvez você seja o único cara com quem eu teria filhos se eu os quisesse e, se acaso eu mudar de idéia, não hesitaria em procurar.  Eu nem sei bem direito o porquê eu gosto, mas sei que seu bom humor tem papel fundamental nisso. Se você gosta de mim?! Sei lá. Acho que sim, gosto de pensar que eu sou uma boa amiga que lhe diz coisas ao pé do ouvido em meio à alcova. 

É exatamente esse nosso ‘compromisso-descompromissado’, essa certeza do nada que faz com que o que temos seja tudo.  É paradoxal mas tudo bem, o que nessa vida não é?!. Então, ficamos assim: amanhã eu te ligo, ou você me liga, ou não. Mas tem um filme em cartaz no Belas muito bacana, começou o Comida de Buteco, vai ter Gafieira no 104 e pode ser que eu ou você precisemos de uma boa companhia. 

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Postscriptum:

Meus caros amigos, ficar sem computador é bom, mas chega uma hora que é quase insustentável a falta que ele faz. Enfim, Ulisses firme e forte e por isso um novo texto,  que foi escrito no papel e deu a sensação de voltar aos primórdios do #BSP, que aliás, comemorou neste mês de abril 5 anos de peripécias. Muitas vezes eu escrevia o post no papel, e só depois é que digitalizava, só conseguir transcrever tudo em 2010!  E como só Jesus salva quase tive um 'troço' quando achei que tivesse perdido meu HD. Agora tudo está mais que seguro num back up e vamos levando, como bem cantou meu querido Chico Buarque!

Abraço doce,

Bailarina

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