quinta-feira, 1 de maio de 2008

Peça Avulsa...

Um conto sobre aquilo que não tem par.




Ele era o típico bon vivant. Sabia de tudo um pouco, político, culto, moderno. Conhecia bons lugares, havia viajado quase o mundo todo. Estava sempre rodeado de bons e fiéis amigos e belas mulheres. Tinha um bom emprego e se relacionava bem com todos á sua volta.
Vivia uma vida privilegiada, gostava de gozar dos prazeres da vida de solteiro, sabia aproveitá-la bem. Cada dia uma, cada noite outra. Não se prendia a nada, nem a ninguém. No entanto, não escondia que levava uma vida nestes moldes, se alguém questionava ia logo dizendo que era assim que ele gostava e pronto, que não sabia como viver de dois, era uno, como uma frigideira: uma panela sem tampa.
O tempo passa e passa para todo mundo, independente de como tenha vivido a vida. E cada um, como é natural, foi procurando seu rumo. Seus amigos, aqueles fiéis, continuaram fiéis, mas agregaram á amizade: a esposa, os filhos, a casa e outras responsabilidades. O chopp do happy hour foi substituído por festinhas vespertinas das crianças, as noitadas por jantares familiares e as viagens da turma por acampamentos de férias. As belas mulheres agora haviam se tornado belas e distintas senhoras. Só ele continuava na convicção de ser solteiro.
E o tempo se encarrega de cada um e como era a lei natural da vida, Ele foi envelhecendo, continuava ainda, dentro do possível, a sua vida de bon vivant mas agora como um senhor que sabia apreciar o bom da vida, reservado em seu velho apartamento que fora, outrora, sua alcova e antro. A morte trataria de visitá-lo em breve e quando chegado o dia, ficou-se escrito em sua lápide: - Aqui jaz uma peça avulsa.

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Postscriptum:


# Caros amigos, mais um conto. Confesso que ultimamente me falta inspiração para escrever mas as conversas que ouço por aí ainda são fonte viva de idéias, no entanto, longe de mim fazer 'apologia' ao casamento ou a 'solteirice', apenas dramatizando uma história verídica... Assim, espero que gostem, comentem, critiquem...


# Obrigada á todos pelo carinho. Recebi cada boa vibração para que eu melhorasse logo. Estou num momento ‘cuidando da saúde’, mas já estou bem melhor! Recebi vários ‘puxões de orelha’ - Pergunta se eu fiz o repouso, pergunta?! - dizendo que ando muito desleixada com a minha saúde, coisas de gente frenética caros amigos, coisas de gente frenética. Comecei arrumando as minhas bagunças - isso inclui o meu guarda-roupa - e tomando algumas decisões, fiz algumas escolhas e confesso, não me arrependi de nenhuma (não até agora...), desencantei de algumas coisas e como é bom desencantar ás vezes... E assim, andei relendo Clarice....

"Cada ser humano recebe a anunciação e, grávido de alma, leva a mão à garganta, em susto e angústia. Como se houvesse para cada um, em algum momento da vida, a anunciação de que há uma missão a cumprir. A missão não é leve: cada homem é responsável pelo mundo inteiro". [A Descoberta do Mundo_Clarice Lispector]

# Dia 29 foi o "Dia Internacional da Dança"! - Á todos os bailarinos e profissionais da dança, meu caloroso abraço!

# Feliz "Dia do Trabalhador"...e vamos á luta!

# "Wine Day"...Saudade destas quartas regadas por um bom rosé...Amigos!Duetto!Pesto!AMO!


Abraços sempre com carinho,

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Trilha Sonora - A música que embalou este post:

Você passa eu acho graça (Clara Nunes_Carlos Imperial e Ataulfo Alves)

 Clara Nunes - Clara Nunes - Você passa eu acho graça - Cigana Luiza

4 comentários:

Georgia disse...

Eu conheco uma porcao de mulheres que na época eram consideradas inteligentes, sabiam se vestir, nao faltava ocasiao para sair. As mais feínhas, eu por exemplo e menos inteligente, nos casamos, tivemos filhos. Elas continuam solteríssimas no momento de velas acesas na mao procurando um para casar. Serve qqr um mesmo sem curriculum vitae. É a vida dá muitas voltas.

beijao linda e gostei do conto.

Victor Hugo disse...

Você é uma peça avulsa?!

Ainda aguardo a minha resposta.

Beijo,

VH.

Mony disse...

Olá...

Fiquei muito tempo sem visitar sem blog...
Me surpreendi belos texto!!

“ Mesmo não sendo a peça ideal, é muito importante sempre temos em quem se apoiar”

beijosss

Cinara Lisboa disse...

Gente...

Adoooooro qdo vcs comentam!
Geo e Mony...Já passei pelo cantinho de vocês e adorei a visita!

Victor...Acho que todos somos uma peça-avulsa...Um dia a gente acha o sapato velho para o nosso pé cansado...


Bjo á todos!