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Conversa de Botequim

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- Quanto você me ama?! - Hum, não sei, deixa eu pensar... Gesto com o polegar e o indicador. - Um tanto assim, ó! - Só isso?! - Você acha pouco?! - Acho - Seguido de uma franzida no cenho. - Vamos fazer assim então, põe mais cerveja no meu copo – Sinal pro garçom – Ô amigão! 'Cê tem aí um pedaço de fita?! O garçom solicito entrega um pedaço maltrapilho de barbante. - Vamos fazer um ‘vira-vira’ e o quanto agüentarmos marcamos com a fita, essa é a quantidade que eu te amo e você me ama, pode ser?! - Não vale, você é mais forte pra bebida do que eu! - Que nada! Quem bebeu mais até agora, hein?! – Pode ser?! - Tá, pode! - Vamô lá então, no 3! 1,2...3! Amigos se juntam em coro - Vira, vira, vira... Vira, vira, vira... - Vira, vira, vira, viroooooooooooooouuuuuuuuuuu Foi assim, nessa conversa de botequim, amor mensurável, como a medida de um copo lagoinha. ---------------------------------------------------------------------------------------------   P...

Aluga-se

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Quando o novo morador chegou tudo estava em ordem. A casa estava perfeita, pintada, arrumada, consertada. O ultimo inquilino a havia deixado pouco tempo, sem maiores estragos. Apenas pequenos consertos foram necessários - uma janela que não fechava direito aqui, um furo numa parede ali, aquela maçaneta frouxa - Enfim, fora um bom inquilino, mas chegou a hora de partir, deixou tudo acertado e nunca mais foi visto. Diferente do antigo o novo morador chegou fazendo alarde. Deixando tudo do seu jeito, pintou as paredes de cores intensas e no quarto principal colocou uma enorme foto de um por do sol numa praia paradisíaca e tranquila de algum canto do país. Era possível o senhorio ouvir um som alto, ritmado, forte e envolvente. Misturava-se às vezes ao da própria casa e era difícil definir da onde vinha. Havia festas, muitas festas, intermináveis. E havia um perfume inconfundível que exalava e deixava o ar quente e acolhedor. Toda a atmosfera em volta da casa fora modificada. Haviam ...

O menino do nariz arrebitado...

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Um conto lúdico sobre uma certa 'teoria'. O menino da nariz arrebitado saia todas as noites, boêmio como ele só, tocava violão, escrevia poesia, sabia filosofia e gostava de Descartes. Ele tinha o cabelo preto, retinto, que vivia sempre bagunçado, mas o seu nariz arrebitado era a sua marca registrada. O menino do nariz arrebitado, vivia cercado de amigos, de amigas e de uma porção de gente, ele gostava de pessoas e de estar com elas. O menino do nariz arrebitado era um homem e já não era nem tão menino assim. Um dia ele resolveu sair de casa sem pretensão alguma que fosse, resolveu assim, de bobeira. Se arrumou todo, colocou aquele velho all star , aquela camisa branca, aquele jeans surrado e perfume com cheiro de bergamota, cardamano, cedro e sândalo, podia ser estereótipo, mas não, por conta daquele seu nariz arrebitado. Ele foi pra noite, e aproveitou como sempre, aproveitou como nunca e aproveitou. Num determinado momento da noite, lá pelas tantas da manhã, o menino do nari...

A vida inteira pode ser qualquer momento...

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Um conto sem explicação. Ele passou por ela na rua. Claro, obviamente, ela não percebeu. Ela passou por ele na fila do cinema. Comprando pipoca, ele não a viu. Um dia ela estava no ônibus, indo pra agência. Ele no carro, indo pro consultório. Ela cantava ao som Piaf. Ele tamborilava no volante ao som de Vinícius. Por um momento os olhares se cruzaram. Sorriram, dois loucos perdidos em seus mundos na metrópole. Ela desceu dois pontos pra frente, num lugar qualquer. Ele estacionou logo mais a frente, algum lugar sem faixa azul. Olharam, viram, encontraram. A conversa foi única, decisiva. O mundo era dos dois! - Vem comigo, no caminho eu te explico! ------------------------------------------------------ Postscriptum: Caros amigos. Um breve mas lírico conto. Como sempre, fiquem à vontade para críticas, comentários, elogios e sugestões. Fiz algumas alterações no blog e logo virão outras, no entanto, adianto que tudo sempre pra melhor. Saudades, ----------------------------------------------...