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Mostrando postagens com o rótulo crônicas

Pro teu bico

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" Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida(...)Nós na batida, no embalo da rede, matando a sede na saliva(...)Ser seu pão, ser tua comida, todo amor que houver nessa vida e algum veneno anti-monotonia(...) "  [Cazuza] Eu disse que queria um amor bonitinho. Assim, com todas as letras, soletrando o ‘bonitinho’ para dar ênfase e importância devida ao fato. Na cadeira da frente a cara da terapeuta era de: ‘Pronto, descobriu o Brasil’ - Mas acho que pra mim era bem isso mesmo, descobrir que eu queria uma amor bonitinho, daqueles de propaganda de margarina, era como descobrir o Brasil, com direito à Caravelas e carta do Caminha pra contar a boa nova. Passei os últimos anos rejeitando toda e qualquer hipótese que remetesse a esse tal amor bonitinho. Passei anos fazendo a ‘descolada’, bancando a ‘ heartbreaker ’, renegando ao amor o papel de vilão do meu filme que nunca tinha final feliz.  Passei anos me escondendo sob o disfarce da mulher independente...

Caio, fila e ser feliz

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(ou: Tá faltando inspiração até para o título) A primeira vez que ouvir falar em Caio Fernando Abreu foi no inverno de 2008, quando tudo andava meio estranho e sem perspectiva eis que se deu a leitura de Morangos Mofados.  Depois disso passei a seguir alguns perfis no twitter com pequenas pérolas do escritor. E apesar de ser uma 'literatura enlatada,  costumo brincar que Caio conversa comigo através desses tweets . Se Clarice Lispector me encanta pela sua melancolia, Caio me arrebata por seu realismo dramático e se não é Adélia Prado para soprar dias felizes, qualquer objeto cortante perto de mim poderia fazer grande estrago. (Como já diria o Carlito: #FicaVaiTerDrama.) E numa dessas ‘conversas’ diárias li o seguinte trecho: ‘Vâmo acordar, vâmo acordar! Tem muita gente furando fila e sendo feliz no nosso lugar’ . E isso bastou para que eu parasse o que estava fazendo e pensasse: é isso mesmo! Enquanto a gente dorme no ponto no emprego que te desgasta, num curso que você...

Preciso escrever

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“A inspiração vem de onde, pergunta pra mim alguém, respondo talvez de longe... De avião, barco ou ponte, vem com meu bem de Belém, vem com você nesse trem... Nas entrelinhas de um livro, da morte de um ser vivo, das veias de um coração...Vem de um gesto preciso, vem de um amor, vem do riso, vem por alguma razão...Vem pelo sim, pelo não(...)” Pois é, o título é fato. Estou com dificuldades em escrever. Parece que a minha inspiração era condicionada ao sofrimento. Não sofro, logo, não escrevo. O problema é: posso não sofrer por aquela paixão de quatro anos (Isso tudo, por Deus!) que só fez estrago, deixou um puta de um buraco e a custo conseguir me refazer. Mas eu sofro agora porque tenho um ‘medo medonho’ (com toda licença poética para a redundância) do novo e como bem sabemos, o novo assusta a gente feito o diabo.  Eu preciso escrever então sobre isso, preciso escrever sobre as coisas novas, sobre tudo o que tem acontecido. Preciso escrever até mesmo sobre o que por certo nem a...

Estetoscópio

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Num domingo desses, o namorado da minha irmã (que é fisioterapeuta) trouxe um estetoscópio aqui pra casa. Confesso que sempre gostei desse aparelhinho médico, sempre achei interessante essa idéia de ouvir o que acontece dentro da gente.  E foi brincando com o estetoscópio junto com a pequena que parei pra pensar que quase nunca damos ouvidos pra gente mesmo. Responda você, caro leitor, quando foi a última vez que você se ‘deu ouvidos’? Quando foi a última vez que você parou para ouvir a sua própria voz, seus próprios sentimentos, suas próprias opiniões, sem que nada interferisse? Quando foi a última vez que você ouviu sua razão, ou melhor, quando foi a última vez que você ouviu seu coração?  Uma grande amiga sempre diz que usa a razão porque o coração mesmo, só serve pra bombear sangue e nada mais. Mas a verdade é que meu coração já deu palpite demais na minha vida, então faz muito tempo que resolvi deixar, na discussão interna, a razão falar mais alto. No entanto, não nos...

Volver

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‘Voltar quase sempre é partir para um outro lugar’ (Paulinho da Viola) "Atenção senhores passageiros com destino à Belo Horizonte, embarque no portão 10" . E lá estava eu, feliz da vida, voltando pra casa. Tenho o espírito livre, uma alma inquieta, ficar no mesmo lugar sempre foi uma tortura pra mim. Mas como todo ser de ‘sangue quente’, sinto falta da minha casa, da minha cidade, da minha vida, das pessoas, do clima, do ritmo, do espaço urbano - e um querido amigo diria: ‘ que bonito isso’ - como quem sente falta de ar. E voltar é como um balão de oxigênio quando o ar se torna rarefeito e as paredes do quarto do hotel começam a me comprimir. Por inúmeros motivos quis sair de BH por um tempo, descansar a imagem, já diria outra amiga. Foi tudo de última hora, 45 dias fora me pareciam 45 horas, falando assim, rapidamente. A proposta de trabalho veio a calhar, como um bote salva-vidas, pronto a me resgatar do meu naufrágio pessoal. Não hesitei em me segurar e ser levada, 2061...

Pra salvar a minha vida

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"Escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém, provavelmente a minha própria" (Clarice Lispector) Sempre escrevi. E sempre deixei claro que escrevo por necessidade, não por vocação ou talento. Escrevo pra estravassar meus 'ais', pra exorcizar meus demônios, pra entender minhas pirações, dar asas ao espírito livre, sossegar a alma inquieta. Escrevo por mim, pra mim. Quando resolvi pegar tudo o que eu escrevia e publicar não esperava leitores ávidos, muito menos compreensão. Aliás, não esperava nada. Queria apenas 'escrever meu livro', já que o ter um filho eu abro mão e pra plantar uma árvore ando 'sem tempo'. Escrever muitas vezes é meu bote salva-vidas. É meu porto seguro. Minha ponte, minha cama elástica no fim do poço, escrever muitas vezes é o remédio, parafraseando Mart'nália, que me tira do tédio. Escrever é meu sopro de boa nova, é minha oportunidade de recomeçar, todas as vezes que começo a primeira frase. ---------------------...

Eu sou assim

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"Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia pela goela a baixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar."  (Caio Fernando Abreu) Não sei representar papéis. Acho que nasci pra viver sozinha. Não gosto de cozinhar. Gosto de crianças quando elas estão dormindo. Não tenho vocação pra Madre Tereza. Sou chata, tenho manias estranhas e gosto mais de cachorro do que de gente. Costumo ser radical com gosto musical. Tenho preguiça de gente prolixa. Na fila de distribuição de paciência eu não tive paciência pra esperar pela minha vez. Odeio que mexam nas minhas coisas, tenho horror à desorganização. Não ligaria de trabalhar num ‘aquário’ com um computador, uma mesa e uma cadeira, desde que pudesse ouvir minhas músicas sem fone de ouvido. Não nutro a esperança de casar, para isso precisaria de muito amor do outro pra aceitar aquilo que não consigo mudar em mim ...

Curvas

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“Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.” (Drummond) Outro dia no metrô lendo a antologia poética de Drummond me deparei com o Poema de Sete Faces, fiquei relendo o verso ‘ Vai, Carlos! Ser gauche na vida’ por quase toda a viagem. Relendo talvez porque o verso faça todo sentido pra mim, relendo talvez porque mais cedo ou mais tarde, a gente querendo ou não, somos gauche, esquerdos, tortos como diz a definição do verbete. Minha vida sempre foi meio gauche, sempre preferi o que não era modismo, nunca fui a popular no colégio, nunca tive a pretensão de ser a ‘Rainha do Baile’, me contentava em ser antagonista da história. Mas a bem da verdade, existe certa vantagem em estar do outro lado, meio deslocado de tudo, fora do foco, outside . É bom ver como a engrenagem funciona, é bom reparar de outro ponto de vista, é interessante analisar sob outra ótica, mesmo um pouco distorcida. Ver tudo de outra forma, reparar as sete, oito, nove, i...

Óculos

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  "O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." (Guimarães Rosa) Em 2010 aconteceu de tudo na minha vida. Aposto que na sua, caro leitor, também. Enfim, aconteceu de tudo no mundo, na minha vida, na sua vida, na vida do vizinho, na do presidente, na daquela pessoa que mora em Pontaporã e na daquela que mora numa ilha afastada em pleno Pacífico. Graças a Deus e já diria Cazuza, o tempo não pára, e a vida, por sua vez também não. Tá certo que 2010 não foi o melhor ano da minha vida e que os acontecimentos do ano que passou não foram, no saldo, os melhores. Mas eu mudei de emprego, me libertei - embora não sem dor - de uma paixão que me fazia mal, conheci novas pessoas, fiz novos amigos, voltei a fazer terapia, descobri alguns lugares bacanas, viajei, reforcei laços, aprendi a lidar com algumas derrotas com certa classe e leveza, deixei de me preocupar com alguns...

O vestido

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"E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar." (Clarice Lispector) Outro dia fui experimentar um vestido numa loja – 34, por favor! – Visto manequim 34 desde os 15 anos. Sou magra, mas confesso que só há uns 5 anos eu convivo bem com essa minha verdade. Não vou dizer que é algo que não me agrade, mas não vou dizer também que ser magra não me incomoda (e deve ter gente nesse momento, amaldiçoando até a minha nona geração por tal declaração). Incomoda sim, brasileira é tudo ‘ão’: bundão, pernão, peitão, coxão. Não estar dentro dessa estatística foi algo que me deixou com a pulga atrás da orelha durante praticamente toda a minha adolescência. Voltando a loja, eis que o 34 não serviu, na verdade ele nem entrou. - Então tá, trás o 36 que deve dar ! - Na verdade sei que nunca, nunca mesmo, vou fazer o tipo mulherão (o ‘ão’ aí é sinônimo de muito). Não sou (e nem sei ser) mulher de parar o trânsito, de fazer pescoços terem torcicolo por con...

Carro velho

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"Não, não te quero mais. Agora eu que decido aonde eu vou. Não, não, não suporto mais, prefiro andar sozinha como sou(...)" Outro dia fui almoçar com uma amiga e tão logo acomodadas, começou a chuva de reclamações dela para com o namorado. Preparei meu arsenal de ‘ Vocês já conversaram sobre isso? ’, ‘ Você está satisfeita? ’, ‘ É isso mesmo que você quer? ’ antes de sair, pois sabia exatamente a pauta do encontro. O que não sei exatamente é porque as pessoas insistem em continuar em relacionamentos que estão fadados a ir a pique. Como é que se sustenta durante, 2, 3, 5, 10 anos algo que ao menor tremor desaba. Posso não ser a melhor pessoa pra fazer a tal indagação, mesmo porque não sou ‘experiente’ em relacionamentos longos, mas acredito que seja lá qual for o motivo, ‘carregar o fardo’ por mais que às vezes nos seja de nossa escolha não é algo que nos é imposto. Se são os incomodados que se retiram, porque tem tanta gente aí incomodada com o parceiro e ainda sim con...

Vício

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'Amor de verdade liberta.Vício é jaula.' [Martha Medeiros] Outro dia me perguntaram: M as você nunca se apaixona?! Claro que eu me apaixono. Sem paixão, já diria Nelson Rodrigues, não dá nem pra chupar um picolé. Mas então você não sofre, né?! Sofro, sofro muito, mas foi-se o tempo em que eu fazia do sofrimento modo operante. Hoje prefiro a cômoda posição de quem se dá direito ao sofrimento, não ao martírio. Longe de mim virar mártir em nome de uma causa que eu já sei perdida. Ah, tá. Então me ensina a fórmula . Que fórmula?! Digo e repito: amor (e muito menos paixão) não é uma ciência exata. A única coisa exata aí é a conta (que tão bem fez a Tati Bernardi): um + um = dois. Sempre! Não sei viver pelo outro, não dou conta de viver nem por mim direito, e olha que já convivo comigo há 27 anos. Não tenho vocação altruísta para tal, já me dou por satisfeita com os meus próprios dilemas e posso garantir, não são poucos. Gosto de estar apaixonada, de verdade, gosto mesmo. Mas ...

Felicidade alheia

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“Quantas vezes a gente em busca da ventura, procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte, os óculos procura, tendo-os na ponta do nariz.” (Mário Quintana) Outro dia uma amiga 'twittou' que passadas as festas de 15 anos e as formaturas era chegada a hora dos casamentos. Respondi que fatidicamente essa hora seria precedida pela hora dos batizados e que era a vida feliz seguindo seu rumo. Verdade seja dita, é a vida ‘normal’ acontecendo todo dia. É a vida do vizinho da casa da frente, da colega de trabalho, daquela prima mais nova, da melhor amiga, do amigo do curso de inglês... Enfim, é a nossa vida acontecendo, porque não?! Na mesma semana uma colega do meu antigo emprego avisou a todos que seu bebê havia nascido. Outro dia mesmo uma amiga se casou, outro se divorciou, aquela que sempre reclamava do azar no amor achou o ‘príncipe’ encantado, meus vizinhos da casa ao lado se mudaram, meu ex-namorado arrumou uma nova namorada, a Tatá foi estudar no c...

Péssima namorada

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Para o que foi. É. Ou certamente será. "Namoro é quando cada um mora na sua casa e tem rotinas distintas com poucos horários para se encontrar, e esse pouco ganha importância de celebração.Namoro é quando não se tem certeza absoluta de nada, e a cada dia um segredo é revelado (…)De manhã um silêncio inquietante, à tarde um mal entendido. À noite um torpedo reconciliador e uma declaração de amor.Namoro é teste, é amostra, é ensaio’(…)." (Martha Medeiros) De uns tempos pra cá comecei a achar que sou péssima namorada. Calma! Explico os motivos para tal. Não sei ficar no pé, não sei colocar apelidinhos, não sei ligar quatrocentas-e-oitenta-e-nove vezes num dia, não sei brigar por pouca coisa, não sei mandar mensagens açucaradas do tipo – Mô, tchuchuco da minha vida, tinhamu tá, sua buzuzuzinha . Não sei achar lindo declarações ou manifestações de carinho explicito no meio da rua, não sei dividir a comida do meu prato, não sei colocar comida na boca, não sei suspirar por bu...

Saudade

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"O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo" (Mario Quintana) "Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante" (Carlos Drummond de Andrade)   Há quem diga que saudade dói, que é um sentimento ruim. Saudade já foi fonte de inspiração para poemas, músicas, livros, filmes e etc. Eu gosto de sentir saudade, essa palavra que só existe em português e isso já disse certa vez por aqui . Sinto saudade dos tempos de colégio, dos amigos que fiz e ficaram pelo caminho, das minhas últimas férias só minha irmã, eu e o mar de Itacaré, da bala ‘Banda’ de uva, de pirulito ‘Campeão’, de quando as Melissas ainda eram baratas. Sinto saudades dos meus amigos quando viajo, da minha casa quando fico muito tempo fora, do cheiro de 'óleo de lavanda' que minha avó passava nos cabelos, das minhas músicas quando o MP3 está sem bateria. Sinto saudade de quando tinha mais tempo pra escrever, menos coisas pra preocupar e certa ‘cara-de-pa...

Frieza

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"Eu não troco, não vendo, não empresto e nem dou, a paz no coração pelas juras de amor(...)"  Ultimo evento familiar após três finais de semana seguidos de festa. Sentada com uma prima um pouco mais velha do que eu a conversa discorria sobre relacionamentos. Num determinado momento (e esse momento sempre vem) a pérola - É porque você age com frieza, Bailarina – Assim, eis aí mais um adjetivo para somar-se à minha vasta lista que inclui dentre outros tantos, coisas do tipo ‘Pouco Romântica’ (que confesso, é o que eu mais gosto!) e ‘Consciente’(só ainda não descobri de quê). ‘Fria’, não me impressionada em nada mais! Aliás, que fique claro: não sou ‘fria’. Muito pelo contrário, sou passional demais, emocional demais, sentimentos demais e me ferro, como diria a Brena , na mesma proporção por conta disso. O que não sou é ‘burra demais’. Não deixo (ou faço um esforço quase sobre humano para não deixar) é que o coração governe a cabeça porque se assim fosse, meus amigos, est...

Solteira Convicta

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"Por trás de um homem triste, há sempre uma mulher feliz(...)" Carro pára na porta, buzina, segundos depois ela sai de casa e entra no carro – pausa para um beijo caloroso ainda com a luz interna acesa – e lá sem vão. Cena típica, acontece comigo, com a vizinha da casa da frente, com todo mundo que leva uma vida ‘nos padrões sociais normais’ (Nada contra os ‘anormais’. Que fique claro: amo a diversidade!). A vida como ela é minha gente: vivida. Outro dia destes saio para correr e uma vizinha (que me conhece há anos) pergunta se finalmente deixei de ser ‘solteira convicta’. Bom, pelo o que eu saiba ainda sou solteira. Está lá ó, no meu registro no cartório, estado civil: SOLTEIRA. Porque só mudamos de estado civil em caso de casamento, divorcio ou  viuvez. E como os dois últimos dependem perante a lei, do primeiro, meu estado civil continua o mesmo já que ainda (bem ?!) não me casei. Não tenho nada contra casamentos, nada mesmo. As pessoas querem se casar?! Pois...

A lista

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Tenho uma amiga que tem mania de fazer listas. Listas de sonetos preferidos, filmes que ainda não viu, coisas que gosta, coisas que não gosta, sonhos, projetos, planos para o futuro e por aí vai. E foi por conta dessa mania dela que resolvi fazer uma lista que a princípio serviria para passar o tempo, mas decidi levar a sério e a lista passou a ser, digamos, meu manifesto para o novo ano que se inicia em breve. O nome dela?! ‘Coisas que não vão para 2010’. Porque entra ano e sai ano e insistimos em carregar junto da gente algumas coisas que deveriam ficar junto do ano que se passou. Coisas que tem prazo de validade, que têm dia e hora pra acabar: 31 de dezembro, meia-noite. Coisas que duraram o tempo exato que haviam de durar, mas que ainda sim a gente pede bis coloca na bolsa e vira mais um ano com elas a tiracolo. Tá certo que há uma série de coisas que podem (e devem) passar para o outro ano, que merecem uma segunda chance. Mas sabemos exatamente quais são, assim como sabemos exatam...

Tipo

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Outro dia estava no samba e uma amiga comentou que havia um cara na mesa ao lado que era ‘meu tipo’. Olhei para a mesa e vi o tal ‘cara’: estatura mediana, caucasiano, cabelo preto, sorriso bonito, usava calça jeans, camisa de malha e tênis. Um homem normal, nada de outro mundo, apenas mais um cara curtindo o samba como eu e os demais que ali estavam. Voltei novamente a atenção para a minha amiga e perguntei o que a fazia pensar que aquele era o meu ‘tipo’. Segundo a resposta dela, ela havia se baseado nos meus últimos namorados e traçado um perfil, além disso, ela achava que a ‘estampa’ combinava. Mais um gole de cerveja, um beijo no meu garçom preferido, tamborim na mão e vamos firmar a batucada. Assim, deu-se por encerrado o assunto. Hoje estava revendo algumas fotos e acabei encontrando algumas de namorados, rolos e afins, não só meus, mas de amigas, da minha irmã, primas, etc. Achei engraçado porque de certa forma todo mundo segue um padrão. Apesar de não gostar dessa coisa de pad...