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Minhas Piras...

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Me deixa aqui com as minhas piras. Minhas exclamações, minhas caras e bocas. Meus ensaios em frente ao espelho. Minhas muitas interrogações, seguidas de reticências infinitas, redundando em versos mal escritos. Sou um circulo imperfeito, feito a compasso. Eu me questiono porque no auge do meu pensamento viro apenas palavras, transcritas em folhas de papel pautadas de um lado só. Eu quero ficar aqui, quero correr mundos, eu quero tudo e ao mesmo tempo não quero nada, não ouço nada, não vejo nada. Quero aquelas paredes azuis, o nariz arrebitado dele, o falar incessante de alguém pequenino, a platinela do pandeiro soando ao fundo, aquela estrela do lustre, um incensário em forma de flor, algumas caixinhas de origami. Me deixa aqui com as minhas piras. Com as minhas frustrações, minhas soluções complexas e meu falar descompromissado. Meus milhões de folhas espalhadas pelo chão e os livros que leio todos ao mesmo tempo. Meus pés cheios de bolhas e os passos marcados de todas as d...

Peça Avulsa...

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Um conto sobre aquilo que não tem par. Ele era o típico bon vivant . Sabia de tudo um pouco, político, culto, moderno. Conhecia bons lugares, havia viajado quase o mundo todo. Estava sempre rodeado de bons e fiéis amigos e belas mulheres. Tinha um bom emprego e se relacionava bem com todos á sua volta. Vivia uma vida privilegiada, gostava de gozar dos prazeres da vida de solteiro, sabia aproveitá-la bem. Cada dia uma, cada noite outra. Não se prendia a nada, nem a ninguém. No entanto, não escondia que levava uma vida nestes moldes, se alguém questionava ia logo dizendo que era assim que ele gostava e pronto, que não sabia como viver de dois, era uno , como uma frigideira: uma panela sem tampa. O tempo passa e passa para todo mundo, independente de como tenha vivido a vida. E cada um, como é natural, foi procurando seu rumo. Seus amigos, aqueles fiéis, continuaram fiéis, mas agregaram á amizade: a esposa, os filhos, a casa e outras responsabilidades. O chopp do happy hour f...

Ao vencedor, a vitória…

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Arriscamo-nos a perder quando queremos ganhar demais” (La Fontaine) Quantas vezes queremos competir pra ganhar? Ganhar mesmo, pelo prazer de ganhar. Se fazer merecedor do prêmio e de tudo o que a vitória acarreta. E, não venha com aquela história de que “ O importante é competir ” que na prática todos sabem bem que não funciona assim. Entretanto, vale a pena pensar que não, ganhar nem sempre é o que vai nos fazer melhores, mais felizes ou mais realizados. Ser o vitorioso nem sempre nos garante os louros da vitória. E nem sempre vencer é tudo na vida. Quando perder não se deve perder a lição, todo mundo já deve ter ouvido ou lido essa máxima por aí. Tudo bem, ninguém é obrigado a perder com a classe, somos todos passíveis de vitórias e derrotas. Ninguém deve envergonhar-se por sentir-se fulo da vida, deprimido ou simplesmente desanimado diante da derrota. Mas não é nos dado o direito como perdedores de nos fazermos de vítimas da situação e oprimidos neste mundo "cão" e injust...

Inaugurando linhagens, fundando reinos...

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Então, 01 ano de BSP! E de repente aquelas palavras tímidas de quem aspira, humildemente, escrever versos, textos e casos, viraram páginas de um mundo virtual, imenso e acessível. Adélia Prado, disse que ao escrever, ela estaria cumprindo uma sina, inaugurando linhagens, fundando reinos. Eu me valho de suas palavras, afinal, há um ano atrás fundava aqui um reino único, pessoal e intransferível. Reino de palavras soltas, de sentimentos díspares e ao mesmo tempo contíguos. Um reino de pensamentos errantes, de devaneios complexos, de incertezas, certezas, questionamentos. Reino de estórias, histórias, reino de um pouco - ou seria um muito? - da minha vida. Reino das minhas “pirações”, anseios, conceitos, peripécias. Quando resolvi fazer um blog, foi por uma necessidade pessoal de publicar aquilo que eu escrevia muitas vezes só pra mim. Certa vez, em um post disse que escrever era um vício, uma dependência de papel, caneta e eu - lírico , que não me importava se haveriam leitores ávi...

Por minhas asas...

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Intenso. Da tensão, o cume. E de lá avisto, numa panorâmica, todo céu. E se nada me prende, vôo por minhas asas. Vivendo intensamente, nada mais. ------------------------------------------------------------- Postscriptum: "O mundo é um samba que eu danço, sem nunca sair do meu trilho." (Até amanhã_Noel Rosa) ------------------------------------------------------------- Trilha Sonora - As músicas que embalaram este post: Poutpourri - Noel Rosa(MPB4_Noel Rosa) MPB4 - pout pourri de Noel Rosa

Feliz, de fato, aniversário...

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Sempre gostei de fazer aniversário, sempre gostei de comemorar, embora tenha uma mania boba de só comemorar com festa os anos ímpares. Gosto tanto que a minha empolgação chega a ser quase infantil, divulgo aos quatro - ventos a data, canto a lista de presentes, conto os dias que faltam. E não me importa se fazer aniversário acarreta ficar mais velha ou que o fato de que o tempo passa seja inegável. Não me importa que o passar dos anos signifique aumento das responsabilidades, das cobranças ou a redução das dúvidas e a concretização - mesmo que tecnicamente - das certezas. Não, definitivamente não me importa se ainda não me casei, tive um filho, se me tornei uma pessoa financeira, amorosa, social e pessoalmente bem resolvida, se plantei uma árvore, se continuo a ter medo de hemogramas, se escrevi um livro, ou se ainda guardo meus diários da infância. Se me perguntarem a minha idade, direi - 25! - muito prazer! Não me apego a estes detalhes, não me prendo a estes conceitos, pre...

O que eu aprendi com a minha avó...

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Para Nide Lisboa in memorian Desde que eu me entendo por gente, a minha avó sempre foi avó. Daquelas bem típicas, rosto enrugado, cabelos brancos, andar lento, muitas histórias, sabedoria adquirida pelos muitos anos vividos. Minha avó era, fisicamente, nada parecida comigo, tinha a pele branca, olhos pequenos e verdes, rosto oval. Mas isso nunca foi problema para ela afinal, a nossa família foi feita da mistura de raças e, a mim, e algumas outras primas, ela chamava carinhosamente de ‘ preta ’. Vovó tinha verdadeira adoração por todos os netos, gostava de casa cheia, de visitas de domingo. Era puro orgulho, sempre que tinha oportunidade enchia a boca pra falar das qualidades de todos e adorava contar sobre as gracinhas dos bisnetos. Gostava de agradar e não perdia a oportunidade para um mimo. Não se esquecia de nenhum aniversário, sempre telefonava e procurava saber notícias de todos. Era, literalmente, ‘ mãe-com-açúcar’ ! Aprendi muitas coisas com a minha avó, principalmente ...