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Conversa de Botequim

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- Quanto você me ama?! - Hum, não sei, deixa eu pensar... Gesto com o polegar e o indicador. - Um tanto assim, ó! - Só isso?! - Você acha pouco?! - Acho - Seguido de uma franzida no cenho. - Vamos fazer assim então, põe mais cerveja no meu copo – Sinal pro garçom – Ô amigão! 'Cê tem aí um pedaço de fita?! O garçom solicito entrega um pedaço maltrapilho de barbante. - Vamos fazer um ‘vira-vira’ e o quanto agüentarmos marcamos com a fita, essa é a quantidade que eu te amo e você me ama, pode ser?! - Não vale, você é mais forte pra bebida do que eu! - Que nada! Quem bebeu mais até agora, hein?! – Pode ser?! - Tá, pode! - Vamô lá então, no 3! 1,2...3! Amigos se juntam em coro - Vira, vira, vira... Vira, vira, vira... - Vira, vira, vira, viroooooooooooooouuuuuuuuuuu Foi assim, nessa conversa de botequim, amor mensurável, como a medida de um copo lagoinha. ---------------------------------------------------------------------------------------------   P...

O vestido

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"E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar." (Clarice Lispector) Outro dia fui experimentar um vestido numa loja – 34, por favor! – Visto manequim 34 desde os 15 anos. Sou magra, mas confesso que só há uns 5 anos eu convivo bem com essa minha verdade. Não vou dizer que é algo que não me agrade, mas não vou dizer também que ser magra não me incomoda (e deve ter gente nesse momento, amaldiçoando até a minha nona geração por tal declaração). Incomoda sim, brasileira é tudo ‘ão’: bundão, pernão, peitão, coxão. Não estar dentro dessa estatística foi algo que me deixou com a pulga atrás da orelha durante praticamente toda a minha adolescência. Voltando a loja, eis que o 34 não serviu, na verdade ele nem entrou. - Então tá, trás o 36 que deve dar ! - Na verdade sei que nunca, nunca mesmo, vou fazer o tipo mulherão (o ‘ão’ aí é sinônimo de muito). Não sou (e nem sei ser) mulher de parar o trânsito, de fazer pescoços terem torcicolo por con...

Carro velho

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"Não, não te quero mais. Agora eu que decido aonde eu vou. Não, não, não suporto mais, prefiro andar sozinha como sou(...)" Outro dia fui almoçar com uma amiga e tão logo acomodadas, começou a chuva de reclamações dela para com o namorado. Preparei meu arsenal de ‘ Vocês já conversaram sobre isso? ’, ‘ Você está satisfeita? ’, ‘ É isso mesmo que você quer? ’ antes de sair, pois sabia exatamente a pauta do encontro. O que não sei exatamente é porque as pessoas insistem em continuar em relacionamentos que estão fadados a ir a pique. Como é que se sustenta durante, 2, 3, 5, 10 anos algo que ao menor tremor desaba. Posso não ser a melhor pessoa pra fazer a tal indagação, mesmo porque não sou ‘experiente’ em relacionamentos longos, mas acredito que seja lá qual for o motivo, ‘carregar o fardo’ por mais que às vezes nos seja de nossa escolha não é algo que nos é imposto. Se são os incomodados que se retiram, porque tem tanta gente aí incomodada com o parceiro e ainda sim con...

Vício

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'Amor de verdade liberta.Vício é jaula.' [Martha Medeiros] Outro dia me perguntaram: M as você nunca se apaixona?! Claro que eu me apaixono. Sem paixão, já diria Nelson Rodrigues, não dá nem pra chupar um picolé. Mas então você não sofre, né?! Sofro, sofro muito, mas foi-se o tempo em que eu fazia do sofrimento modo operante. Hoje prefiro a cômoda posição de quem se dá direito ao sofrimento, não ao martírio. Longe de mim virar mártir em nome de uma causa que eu já sei perdida. Ah, tá. Então me ensina a fórmula . Que fórmula?! Digo e repito: amor (e muito menos paixão) não é uma ciência exata. A única coisa exata aí é a conta (que tão bem fez a Tati Bernardi): um + um = dois. Sempre! Não sei viver pelo outro, não dou conta de viver nem por mim direito, e olha que já convivo comigo há 27 anos. Não tenho vocação altruísta para tal, já me dou por satisfeita com os meus próprios dilemas e posso garantir, não são poucos. Gosto de estar apaixonada, de verdade, gosto mesmo. Mas ...

Manifesto

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Tíltulo original: ‘Eu sou um corpo’ - Por Vanessa Ribeiro,   I just can't get enough Em 24 de julho de 2010 “Slow down, you're doing fine. You can't be everything you wanna be before your time, although it's so romantic on the borderline tonight, tonight. Too bad, but it's the life you lead. You're so ahead of yourself that you forgot what you need. Though you can see when you're wrong, you know, you can't always see when you're right, you're right.” (Vienna – Billy Joel) "Perdoe a falta de abrigo, é que agora eu moro no caminho..." (Marla Queiroz) Há sempre um tipo típico de ser humano estranho alocado na mesa ao lado. O exemplar da espécie humana, do sexo feminino, aparentemente abalada por problemas que vão desde bolinhas no esmalte recém-aplicado até os ressecados fios de cabelo, passando também pelo namorado que não vira noivo e que conseqüentemente está longe de virar marido. Um ser que com seus surtos transforma a roti...

Felicidade alheia

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“Quantas vezes a gente em busca da ventura, procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte, os óculos procura, tendo-os na ponta do nariz.” (Mário Quintana) Outro dia uma amiga 'twittou' que passadas as festas de 15 anos e as formaturas era chegada a hora dos casamentos. Respondi que fatidicamente essa hora seria precedida pela hora dos batizados e que era a vida feliz seguindo seu rumo. Verdade seja dita, é a vida ‘normal’ acontecendo todo dia. É a vida do vizinho da casa da frente, da colega de trabalho, daquela prima mais nova, da melhor amiga, do amigo do curso de inglês... Enfim, é a nossa vida acontecendo, porque não?! Na mesma semana uma colega do meu antigo emprego avisou a todos que seu bebê havia nascido. Outro dia mesmo uma amiga se casou, outro se divorciou, aquela que sempre reclamava do azar no amor achou o ‘príncipe’ encantado, meus vizinhos da casa ao lado se mudaram, meu ex-namorado arrumou uma nova namorada, a Tatá foi estudar no c...

Péssima namorada

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Para o que foi. É. Ou certamente será. "Namoro é quando cada um mora na sua casa e tem rotinas distintas com poucos horários para se encontrar, e esse pouco ganha importância de celebração.Namoro é quando não se tem certeza absoluta de nada, e a cada dia um segredo é revelado (…)De manhã um silêncio inquietante, à tarde um mal entendido. À noite um torpedo reconciliador e uma declaração de amor.Namoro é teste, é amostra, é ensaio’(…)." (Martha Medeiros) De uns tempos pra cá comecei a achar que sou péssima namorada. Calma! Explico os motivos para tal. Não sei ficar no pé, não sei colocar apelidinhos, não sei ligar quatrocentas-e-oitenta-e-nove vezes num dia, não sei brigar por pouca coisa, não sei mandar mensagens açucaradas do tipo – Mô, tchuchuco da minha vida, tinhamu tá, sua buzuzuzinha . Não sei achar lindo declarações ou manifestações de carinho explicito no meio da rua, não sei dividir a comida do meu prato, não sei colocar comida na boca, não sei suspirar por bu...